Gosto da maneira que esse grande poeta e escritor escrevia, com uma simplicidade e sensibilidade nata. Nascido em Alegrete, cidade do Rio Grande do Sul, fronteira com o Uruguai. Mario, foi considerado um dos maiores escritores do século 20, que pertenceu a 2º fase do Modernista.

Admiro muito esses homens e mulheres que escreviam de uma maneira que parecia que o lápis percorria o papel sozinho, as palavra era como vento que vinha de todos os cantos.

Com estilo tranqüilo e introspectivo, Mário não falava de si mesmo, ele chegara até dizer que ele era o próprio poema. Porém, muitos queriam saber quem era o homem atrás dos poemas e do cigarrinho, então…

Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas… Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.
Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não astava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu… Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?
Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Érico Veríssimo – que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.

Mário Quintanda pode ser definido como o homem da multiplicidade ! Aí vai uma dica para leitura durante as férias!!!

AM

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