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Sensibilidade Conectiva

Ana Paula Mendes Siqueira

Categoria

Cotidiano

A PRENDA

O menino
recebeu a dádiva.

Era o seu dia, assim disseram.

Estranhou:
os outros dias não eram seus?

Se achegou.
Espreitou.

A oferenda,
era coisa nenhuma
que nem parecia existir.

– O que é isso?, perguntou.
– É uma prenda, responderam.

Que prenda poderia ser
se tinha forma de nada.

– Abre.

Abrir como
se não tinha fora nem dentro?

– Prova.

Como provar
o que não tem onde se pegar?

Olhou melhor.
Fixou não a prenda,
mas os olhos de quem a dava.

Foi, então:
o que era nada
lhe pareceu tudo.

Grato,
retribuiu com palavra e beijo.

O que lhe ofereciam
era a divina graça do inventar.

Um talento
para não ter nada.

Mas um dom
para ser tudo.

Mia Couto

Livro: Vagas e Lumes. COUTO, Mia.  págs. 105 e 106

 

Hoje é dia de Maria!

Ela é a Maria. Mais uma dentre as 13 milhões de brasileiras que têm o mesmo nome. Mas ela, não é qualquer Maria. É Dona Maria da Penha, nascida e crescida na Terra das Alterosas, do pão de queijo, do “uai sô”.

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De pele branquinha, totalmente flácida e enrugada não nega a idade que tem, embora ela queira esconder. É quase impossível não ver, por detrás daqueles cabelos grisalhos e lisos, as inúmeras histórias que ela carrega – inclusive a frustação de não saber ler.

Com passos trôpegos, Dona Maria sentou-se na cadeira para “prosear”, mas antes de contar os “causos” como uma boa mineira, queixou-se das dores nas pernas. Levantou a sua calça e mostrou as feridas, causadas pelas diabetes. Ela detesta ter de tomar insulina todos os dias, mas a jovem enfermeira a estimula brandamente: “É para a senhora ficar boa!”.

Entre uma palavra e outra, sem lamúrias, com apenas saudades – a qual seus olhos evidenciam -, Dona Maria fala carinhosamente da filha mais velha. Ela é mãe de duas mulheres e vó de quatro netos. Uma mora em São Paulo, não consegue visita-la muito pela distância e a outra, ela conta que, embora esteja mais perto, tem dois trabalhos e ainda tem que cuidar da casa e dos filhos.

O relógio marcava 14:30, hora de visita no asilo. Mas, infelizmente, ninguém havia aparecido.

A solidão é a principal companheira da Dona Maria. E ela teve de aprender a conviver com ela. Contudo, apesar da ausência, a velha senhora de sorriso largo não é uma pessoa acabrunhada, pelo contrário, seu olhar esconde a esperança. Esperança de apenas encontrar um ouvido disposto a ouvir os “causos” da mineira, que não sabe ler e nem fazer broa de milho, mas que tem um abraço amoroso, cheio de ternura.


Foto: Internet

“A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente.”

(Rubem Alves)

A imutabilidade de Deus e a [nossa] confiança

A mutabilidade pertence à toda criação. Vivemos em um mundo que a cada minuto tudo muda: a moeda, as leis, o pensamento humano, o clima, a palavra de alguém, a natureza, as políticas empresariais e, por aí vai. Em contrapartida, Deus é o “mesmo ontem, hoje e será para sempre”[1]. E, é nessa certeza que precisamos depositar nossa confiança: na imutabilidade de Deus.
Fácil dizer que confiamos em Deus quando tudo vá bem, quando nada está fora do eixo. Porém, hoje, meditando nas escrituras, vejo que muitas pessoas, em algum momento de suas vidas, se defrontaram com alguns obstáculos e, a partir dessa experiência, tiveram suas vidas transformadas.
Eu acredito nisso. Vivo. Cada situação pode ser um trampolim para conhecermos e confiarmos mais em Deus. O Salmo 91, tão conhecido, é cheio de promessas, contudo, hoje consigo entender que só é possível desfrutar de todas elas quando eu faço do Eterno o meu abrigo, quando deposito minha confiança na pessoa dEle. E a confiança está altamente ligada no relacionamento que tenho com Ele. É preciso conhecer seu caráter imutável e não se apegar naquilo que vê – que é transitório, isso sim, é possível mudar. Circunstância é algo que muda. Mas, Deus não. Como ele diz em Malaquias 3:6 “Porque eu, o Senhor, não mudo”. Quanto mais O conheço, mais eu confio: “A nossa capacidade em acreditar em Deus – e em suas promessas – provém do nível de conhecimento que eu tenho a cerca do seu caráter […] Ele é digno de confiança. Sua promessa é real. Você pode entregar-lhe o problema e descansar”[2].
Isso não significa que não haverá choros, dúvidas, questionamentos, medo… pelo contrário, choraremos, mas a oração deve ser como do salmista: “minhas lágrimas estão registradas no teu livro, mas em ti confiarei de todo meu coração e não temerei”[3]. Definitivamente, o Senhor se importa conosco. Pode ser algo tão pequeno aos olhos humanos, mas Ele mesmo reinando no Seu trono de glória se “inclina para contemplar o que está acontecendo na terra”[4].

Que a cada não ou a cada porta fechada possa ser a oportunidade se achegar mais perto de Jesus. Há muito mais a ser descoberto! Há muito mais a ser vivido!

—–

[1] Hebreus 13:8

[2] Comunhão e Princípios de Fé. Milhomens. Valnice. Pág. 31

[3] Salmo 56:8

[4] Salmo 113:5 (NVI)

Educação transforma vidas!

“Um homem que não sabe ler e escrever é como uma árvore sem raízes”

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